Por Samuel de Jesus
O escritor na frente do seu instrumento de trabalho pensando no que escrever e se ele tivesse, nesse instante, terminado uma crônica para um jornal, isso indicaria que a inspiração para escrever tal texto viera no prazo. Coitado do escritor que semanalmente tem que ter inspiração! Deve ser como dar aulas, você é professor de literatura e suponhamos que ame a literatura, mas tem que ter a disposição para falar de José de Alencar às sete horas da manhã de um dia chuvoso quando nem você e nem os alunos estão afim. A inspiração não tem data, hora para chegar, nem para terminar, ela se sobrepõe a hora marcada que é o grande vilão da estória.
O escritor, assim como todos nós, é dependente de um público, rejeitaria de pronto a idéia de jamais ser lido, isso seria um fracasso! Assim como o artista, ele precisa do aplauso, todos precisam! Mas pensar é mais importante, pois você só se torna humano se tem consciência e, é tão difícil chegar à humanidade. A necessidade de platéia corrompe o artista e também o escritor, pois o envaidece, vicia-o. A solidão deve ser a companheira daqueles que pensam livremente. Se meus livros não virarem nem um Best seller que sirva, então, para que meus amigos se lembrem de mim, ao invés de verem as fotos, leiam os meus textos e me verão mais neles que nas fotos. Mesmo se os acharem ruins, leia-os também, pois eles mostram minhas imperfeições.
Ter o mínimo de consciência e lucidez me dará uma grande alegria e prazer na vida. É por isso que leio, observo, leio e escrevo, sou o homem buscando consciência e travando uma luta contra tudo que tenta impedi-lo disso, o prazo, a hora marcada, sucesso e o fracasso.
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