quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Quando Esperidião voltou ao mundo.

Por Samuel de Jesus

Esperidião estava em cima do telhado esperando o avião das dez passar lá, bem no alto. Ficava também tentado ver as estrelas, mas as luzes da cidade não permitiam. Desde que voltou ao mundo, depois de estar há muito na orbita terrestre, queria conhecer todas essas coisas. Esperidião não era astronauta, nem extraterrestre, apenas dormira por um longo tempo, um sono profundo e de pedra. Agora, com os sentidos recobrados queria voltar ao mundo, mas o mundo estava tão mudado! não tinha mais a estradinha de terra e as árvores? Onde foram parar ? Alguém respondeu: 

Está lá no Ibirapuera

Esses dias andou de automóvel, mas de avião ainda não. Dizia para o Armando:

- Como o homem pode criar tal criatura? O bicho homem é danado mesmo! Eu achava que o trem de ferro era mais rápido que o cavalo, mas esse negócio de voar?! Eu não podia imaginar!

E a televisão, então? No inicio achava que eram os homens que estavam lá dentro, como em um aquário, mas não podia ser, pois nunca vira alguém tão pequeno. Armando dissera que era digital e também não sabia explicar direito. Explicou lá, do seu jeito, toda aquela engenhoca.

Certo dia pegou seu jegue e estava em plena Avenida Paulista com o asno e quase foram atropelados. Os prédios pareciam que queriam encobri-lo e não dava nem para ver o sol. Como ficam em pé ? Quanta gente !

De repente, deu-lhe uma tontura. Parecia que estava em um labirinto de gente, gente, gente e não sabia para onde ir, para esquerda, para direita, para frente, para trás, tudo ligeirinho, velozinho, barulhão. Quando anoiteceu só encontrou abrigo na praça. O banco lhe serviu de cama dura na pernoite. Logo pela manhã foi perguntando aqui e ali até chegar Estação da Luz. Queria pegar o primeiro trem para Araraquara.

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