sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O homem editado

Por Samuel de Jesus

O homem é na maioria das vezes editado. Vive-se a vida, erra, comete pecados, faz muita coisa boa, mas coisas ruins também. Cuida da vida dos outros, mente, traí, inveja, mas também ama, ajuda, tem compaixão e benfazeja. Quando o homem morre, por piedade, e também pelo fato de ninguém querer tripudiar em cima de um morto, todos acabam editando sua vida dizendo como era um mar de perfeições.

O homem tenta, ao longo de sua vida, passar uma boa imagem de si. Em vida ele se edita, assim como é feito nos filmes. No filme da sua vida corta as partes em que são mostrados seus erros e suas fraquezas como se isso fosse algo inapropriado, mas é exatamente nos seus erros que poderia ser enxergado, mas não totalmente, pois as coisas excelentes que fizera mostram também muito do seu caráter.

O homem não foi magnífico por inteiro, não conseguiria esse feito. O homem deve assumir suas fraquezas, seus momentos de dúvidas e incertezas, mas por outro lado, como fazer isso se as cabeças dos fracos são cortadas.

Que fique claro. Muitos usam isso como uma santa desculpa, quando ninguém está vendo erra sem peso na consciência e sabe que está errando, negligencia. Considera-se divino, mas quando seu erro torna-se indisfarçável e não pode editar as coisas, recorre ao velho chavão: ERRAR É HUMANO. Ou então faz como o deputado que assinou o cheque incriminador e esse cheque foi parar nas mãos da CPI. Era a prova cabal de seu envolvimento. Inquirido na CPI, disse que a assinatura era sua, mas o cheque ele não sabia de quem era não.

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